Laaaarga deste celular!!!!

Quem nunca recebeu uma chamada dessas que atire a primeira pedra! Essa era fez dos smartphones uma extensão de nós mesmos. Relógios, dicionários, mapas, guias de viagem, blocos de anotações, calculadoras, telefones fixos – todas hoje tecnologias obsoletas que foram absorvidas pelos dispositivos móveis. Aprender – com a agenda apertada – está umbilicalmente ligado a conseguir fazer um bom uso do smartphone.

Fonte: 12min.com.br

Antes, um parênteses. Esse post é uma continuação do texto da semana passada – Como gente ocupada aprende em tempos digitais – quando discutimos priorização, investimento, leitura e audiobooks, como ferramentas de aprendizado. O resultado foi incrível: quase 4 mil pessoas leram o artigo e recebemos contribuições muito legais dos leitores.

Antonio indicou no blog o app 12 Minutos. A ideia é tornar viável ler um microbook por dia. A equipe do site seleciona, lê, sintetiza e destaca as partes mais importantes de conhecidas obras, de forma que você dedique apenas 12 minutos a cada uma delas, podendo ler uma por dia. Acho muito interessante como forma de obter uma visão geral sobre um assunto, embora profundidade só venha com investimento em tempo, leitura e reflexões mais detidas na obra completa.

Já o Ronaldo Correa conversou conosco no Facebook sobre fixação de conteúdo. Eu estava contando sobre como escrever no blog me ajuda a fixar meus estudos. Então ele me apresentou a pirâmide de Glasser – que classifica os melhores métodos de retenção de conteúdo e, consequentemente, de aprendizado. Entre os métodos que proporcionam maior retenção, felizmente, está justamente o de ensinar. É a materialização do é “ensinando que se aprende”.

Foram lembrados também o Koobo (e-reader), pelo Gabriel Guimarães, e os podcasts, pela nossa querida colega e PhD em Internet das Coisas, Flávia Lacerda.

Hoje vamos tratar do uso de redes sociais e cursos online, começando pelo impacto da mobilidade.

Segundo a consultoria Gartner, a mobilidade é um dos componentes centrais do Nexus of Forces – um conceito que indicava no início desta década que a convergência de quatro tecnologias (e não elas isoladamente) iria transformar nossas sociedades e corporações.

Nexus of Forces – Fonte: https://blogs.gartner.com

E de fato, transformaram. E os dispositivos móveis foram parte fundamental da mudança. Porém, assim como são instrumentos poderosos de produtividade e aprendizado, smartphones também são armas potentes de distração e entretenimento. Não se sinta tão culpado se vez ou outra você perde tempo com o celular. O mundo todo projeta apps cientificamente planejados para serem cada vez mais viciantes e formadores de hábitos. Entre eles, as redes sociais.

Redes sociais

As redes podem ser o seu maior aliado ou o seu maior ralo de tempo. Seja seletivo. Há redes mais apropriadas para consumir este ou aquele conteúdo. Costumava adotar o Facebook apenas para lazer e conexões pessoais, mas o Facebook está investindo forte na formação de comunidades. Segundo o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, essa é a nova missão da organização: aproximar pessoas (“bring the world close together”). E nós também embarcamos nessa e lançamos a comunidade da República Digital, para que possamos aprender juntos e discutir os caminhos digitais que nossas organizações e nosso país precisam percorrer.

Fonte: Comunidade do República Digital no Facebook

Bem, continuando, eu vinha utilizando o Linkedin para contatos e assuntos profissionais, o que o elegeria como um candidato natural para manter-se atualizado em assuntos de sua área profissional. Contudo, de maneira semelhante ao Fb, o LinkedIn foi projetado em torno de conexões, o que o torna excelente para formar contatos profissionais, mas que dificulta quando você está mais interessado em conteúdo e aprendizado.

E a “fatura” do LinkedIn vem com dois itens adicionais: os convites e os assuntos pessoais.

Você tem que definir sua estratégia para essas redes. Vai aceitar todos os convites pensando em novas oportunidades ou será seletivo e aceitar somente pessoas que você conheceu pessoalmente? Lidar com essas decisões pode lhe incomodar e tomar algum tempo. Outro ponto é que seus contatos no LinkedIn também compartilham assuntos particulares – um evento, um novo emprego, algo que estão sentindo, o que, é legal para relacionamento, mas que invade sua timeline e sequestra seu tempo.

Foi então que encontrei no Twitter a melhor solução. No Twitter você segue alguém ou é seguido. Você não tem conexões. Não há convites. Não há aquela “obrigação” social de seguir alguém só porque essa pessoa seguiu seu perfil. Isso lhe permite ser seletivo e seguir os perfis pessoais e profissionais que estejam produzindo conteúdo que lhe seja mais relevante a cada momento. Atualmente, sigo apenas cerca de 100 perfis no Twitter (veja quem eu sigo aqui), número bem inferior ao de contatos no Facebook ou no LinkedIn.

É assim que estou utilizando essas redes sociais atualmente. Estratégia muito longe de ser perfeita. Já mudei ela muitas vezes e provavelmente vou continuar mudando. É provável que você tenha a sua, mas as diretrizes são as mesmas: ser seletivo e objetivo para ter acesso a conteúdo e contatos relevantes.

Cursos online

Minha experiência com cursos online até hoje foi variada. Alguns deram muito certo. Outros não.

Sua disciplina e a qualidade do curso são os fatores-chave para que você consiga não apenas ingressar, mas prosseguir e finalizar um curso online.

Via de regra, eu tenho dificuldades em terminar cursos online muito longos. A motivação vai diminuindo e os compromissos acabam atravessando o caminho e atrapalhando. Já os cursos de referência que me permitem ir de tempos em tempos em assuntos específicos acabam sendo mais úteis para mim.

Cursos fortemente baseados em vídeo são interessantes para conhecer um assunto. O Udemy é incrível nesse sentido. Há oferta mundial de cursos muito bons a preços irrisórios. É preciso pesquisar. No entanto, cursos meramente passivos não lhe ajudam a fixar o conteúdo. Por isso, exercícios e aplicação prática daqueles novos conhecimentos são fundamentais, o que, por outro lado, por vezes contribui para maior duração do curso e, algumas vezes, para sua desistência. É preciso encontrar o equilíbrio.

Há plataformas interessantíssimas como o Coursera e o Edx – que oferecem cursos de classe mundial, disponibilizados pelas melhores universidades do mundo – de graça ou com preços muito acessíveis para esse nível de qualidade. Há, inclusive, ofertas de especializações em determinadas áreas.

Fonte: https://www.coursera.org/

Cuide de sua mente

Quero fechar esse texto com uma reflexão. Nesses tempos ocupados e digitais, facilmente ficamos com a cabeça cheia de coisas. A tecnologia pode lhe ajudar a tirar algumas dessas minhocas e compromissos da cabeça, colocando em agendas e lembretes eletrônicos, ou, facilmente lhe encher de alertas e avisos não solicitados que turbinam sua ansiedade, acabam com sua calma e, por consequência, afetam seu aprendizado.

Para quem anda se sentindo oprimido por avalanches de informação aqui vai uma dica: cuide de sua mente. Ela precisa de paz para trabalhar bem. Esse Ted talk do Andy Puddicombe sobre meditação e plena atenção é fantástico.  Dê uma chance e veja o vídeo. Se ele não lhe convencer, quem sou eu para tentar. Se quiser experimentar um pouco mais, o Andy produziu um app – com mais de 8 milhões de usuários – chamado Headspace, que eu já usei e gostei muito. É simples, direto e te ensina a meditar. Hoje, infelizmente, abandonei o hábito, embora permaneça o desejo de voltar a meditar com regularidade. Ainda assim, adotei alguns princípios que me ajudam até hoje a manter a serenidade na hora do caos.

Ainda veremos muitas mudanças pela frente em nossa sociedade e nossas organizações. A vida digital está aí e a velocidade do avanço não vai diminuir. Conheça. Selecione. Priorize. Tome as rédeas de seu tempo e use a tecnologia a seu favor para acelerar seu aprendizado e desacelerar sua mente. Conte conosco nessa jornada e boa sorte!