Tive a honra de falar no ITExpo Gartner 2016 sobre a estratégia de controle digital do TCU. Além dos pilares que a sustenta: governança, talento e plataforma, apresentei rapidamente alguns produtos baseados em informação e que visam melhorar a eficiência e a efetividade no controle externo.

Tendo participado do evento, resumi aqui as seis mensagens que considerei as mais relevantes:

  1. A estabilidade não existe e a incerteza é a regra.

Se existe uma constante, ela é a mudança. As organizações precisam reconhecer isso de maneira definitiva, e refletir sobre como seus estilos de liderança, suas estruturas organizacionais e suas práticas estão preparadas para entregar resultados já. Em especial as organizações públicas precisam refletir que as melhores práticas são soluções para os problemas de ontem”, não necessariamente os de hoje. O desafio então é resolver rápido os problemas de hoje sem compromisso em manter as mesmas soluções para os problemas de amanhã. É preciso reconhecer que “estabilidade do serviço público” e “a velocidade das organizações públicas é diferente” são expressões que incomodam cada vez mais.

  1. Todas as organizações funcionam baseadas em informação.

A Ministra Carmen Lucia defendeu ontem, em um encontro com os chefes dos Poderes para tratar de segurança pública, a criação prioritária de um banco de dados único para monitorar o sistema prisional. A razão é óbvia: necessidade de conhecer melhor e mais detidamente informações sobre o problema para ter alguma chance de agir de modo mais eficiente e efetivo. Enfim, resolver de fato o problema.

A ideia é muito simples. Todas as organizações, principalmente as públicas, precisam fazer melhor aquilo a que se propõem e, ao mesmo tempo, escolher melhor aquilo que se propõem a fazer. E em um ambiente em que os problemas aumentaram a complexidade, é impossível demonstrar eficiência e efetividade sem o uso racional e tempestivo de informações, obtidas, calculadas e apresentadas em ferramentas tecnológicas.

Assim sendo, não há organização que prescinda do conhecimento do qual precisa para funcionar bem. Não há órgão ou entidade pública que pode desconsiderar que as políticas públicas e os serviços prestados a sociedade precisam de informações nas suas fases de desenho, execução e acompanhamento.

  1. Não lute contra a distribuição.

Trabalhos colaborativos e distribuídos, combinados com o uso da tecnologia e com o desenvolvimento dos talentos têm sido a receita para resolver desafios em nível global. Seja mapeando rapidamente o genoma de um ser vivo ou testando modelos para automatização de diagnóstico e tratamento de tumores, pessoas ao redor do planeta interagem, contribuem e competem entre si para conseguir os resultados de maneira mais rápida e barata. No ambiente das organizações públicas, muitas vezes as áreas se enxergam como única solução para os problemas de outras. É preciso reconhecer que não há uma única solução, e que cada vez mais a formação multidisciplinar dos profissionais permitem com que os problemas cotidianos de determinada área passem a ser trabalhados e muitas vezes resolvidos de maneira distribuída e descentralizada.

Deve-se reconhecer que desafios complexos dificilmente conseguem ser resolvidos com a rapidez necessária em um ambiente altamente controlado. É preciso ser honesto sobre decidir controlar, dominar por si próprio determinada tarefa ou conseguir obter os resultados esperados com outra tática. Se o que importa são os resultados, estes devem ser desenvolvido em todos os lugares, por todas as pessoas da organização envolvidas no processo. Isso é empoderar cada profissional no processo que, se convencidos de que seu trabalho entregam real valor, serão eles próprios os agentes da mudança, que passará a ser estrutural e não circunstancial. A influência escala. O controle, não.

Soluções corporativas de TI, por exemplo, embora essenciais, não são suficientes para resolver tudo. Algumas soluções, inclusive relacionadas à TI tecnologia, tem nascido, crescido e se desenvolvido no mesmo local em que o problema aparece. E isso é mais que tendência: é fato, que precisa ser aceito e trabalhado nas organizações públicas. Não queira ser a única esperança do cliente nem o proprietário exclusivo das soluções.

  1. A maior barreira para o sucesso são os talentos.

Os desafios são crescentes, as informações estão por toda a parte e a tecnologia, mal ou bem, está à disposição das organizações. Lidar com os problemas atuais e fazer cumprir a missão de uma organização exige que os talentos da organização sejam resgatados e alocados em desafios de acordo com a competência de cada um. Times multidisciplinares devem ser construídos por desafios, e não em virtude de onde estão lotados. Os profissionais competentes e comprometidos são úteis em qualquer atividade das organizações. O problema é que o comprometimento e a motivação diminuem quando um talento executa uma atividade que, embora útil, não é realmente relevante para a missão da organização. Encontre os talentos, aloque-os nos desafios que mais entreguem valor para a organização e reconheça o esforço e os resultados.

  1. Viva a competição: ecossistema forte, organização forte.

Não raro uma organização pública se reconhece como concorrente de outra. No mundo ficcional do mantra ˜a solução desse problema depende inteiramente de mim˜,

É preciso reconhecer que as políticas públicas são cada vez mais interconectadas e dependentes dos resultados uma das outras. Para dar um exemplo, é fácil concluir que a entrega de vacinas bem sucedida impacta o programa de vacinação que impacta o número de atendimentos na rede publica de saúde. Se bem sucedidas as políticas de modo individual desenhadas de modo interconectado, o todo será bem sucedido.

A colaboração tem que ser efetiva, inclusive com as organizações que “concorrem” com a sua pelos recursos. Simplesmente porque é a boa competição, aliada ao entendimento da complexidade dos desafios e à necessidade premente de resultados que vão permitir com que um problema passe a ser visto não como pertencente a alguém, mas como componente de um conjunto de problemas e de soluções que impactam a todos. Especialmente no serviço público, desenvolver o ecossistema de colaboração verdadeira entre os órgãos significa desenhar acordos e parcerias claras, com responsabilidades individuais e conjuntas e com resultados compartilhados. Tudo isso visando a um resultado que, trabalhando sozinhas, as organizações não conseguiriam atingir.

  1. Analytics está em todos os lugares.

A nova plataforma digital proposta pelo Gartner está centrada em informação, e orbitada pelos sistemas de informação, clientes, internet das coisas e ecossistemas. Em suma, o que se descreve é a necessidade premente de utilizar a informação para decidir como fazer melhor e o que fazer hoje para enfrentar os desafios de hoje e amanhã. Nesse modelo, o uso de analytics tem um destaque não somente restrito a um conjunto de ferramentas ou uma área de negócio desenhada para entregar informações de suporte à decisão para a alta gestão. As técnicas de analytics, motor fundamental para o consumo inteligente da informação, são úteis em problemas de diversas naturezas, sejam os instrinsecamente operacionais – análise de comportamento de tráfego de redes, os que demandam análise de muitas variáveis – como saber o risco de um contrato antes mesmo de ele ser assinado ou de decisão – ou os estudos de tendência e prescritivos – como prever o que gastar em um programa no futuro considerando a situação atual.

Utilizar informações de modo inteligente é condição necessária para as organizações entregarem os resultados em ambiente de mudança e instabilidade, e o pleno uso das técnicas de analytics por grupos multidisciplinares permitem com que os problemas sejam descritos com clareza e as soluções (várias, portanto) sejam avaliadas segundo um critério mais objetivo e profissional. E lembre-se do óbvio: “informação só serve para alguma coisa quando é utilizada”.